sexta-feira, 14 de março de 2014

Las 10 multinacionales mas peligrosas del mundo

por · 18/07/2012

fuente: http://ecocosas.com/eg/las-10-multinacionales-mas-peligrosas-del-mundo/


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Linchamento: esses animais

20/02/2014
 
Saiu na Folha de hoje (20/2/14):

Com as próprias mãos
Tudo começou com um adolescente acusado de assalto agredido a pauladas e acorrentado nu a um poste, há 20 dias, no Flamengo, Rio.
Desde então, casos de justiçamentos surgiram em todo o país - e ganharam enorme repercussão em vídeos divulgados nas redes sociais.
Só na segunda e na terça-feira houve três agressões a criminosos em Goiânia. Vídeos surgiram com suspeitos subjugados também no Piauí e em Santa Catarina (…)
‘A sociedade civil está ficando progressivamente descontrolada’, diz o sociólogo José de Souza Martins, professor aposentado da USP, que há mais de 20 anos documenta linchamentos no país (…)
Há atualmente uma média de um linchamento por dia no Brasil, ante quatro por semana anteriormente, afirma Martins (…)
Por trás dos casos há, continua Martins, uma crescente descrença nas instituições, o que potencializa os linchamentos. Reduzi-los dependeria, diz, de a polícia ser mais eficiente ao deter criminosos e de a Justiça ter agilidade ao julgá-los e condená-los

Países diferentes têm posicionamentos diferentes para a o nível de reação que vítimas de crimes podem ter. Nos EUA, por exemplo, boa parte dos Estados adotam a Castle Doctrine - mais comumente conhecida ‘Make my day’ (da expressão tornada célebre por Clint Eastwood no personagem Dirty Harry) - que permite o uso de força letal contra qualquer pessoa que entre sem permissão em sua residência. Estados como Ohio chegam a estender a permissão para o uso de tal violência até mesmo a veículos.

Já na Inglaterra, até muito recentemente, você seria condenado à prisão perpétua se atirasse em um criminoso armado que invadisse sua casa na calada da noite.

Mas todos os países minimamente civilizados têm algo em comum: cabe à Justiça julgar e punir. Mesmo no ‘make my day’, a ideia é a proteção de pessoas e propriedade contra um perigo iminente, e não o justiçamento do criminoso pelos indivíduos. Você não pode sair correndo pela rua para atirar contra o criminoso que havia invadido sua residência.

E há duas razões para isso.

A primeira é para a sobrevivência do Estado. Se o Estado deixa de ser o único garantidor e provedor de Justiça e perde o monopólio da força, ele deixa de ser essencial. Ele passa a ser um coadjuvante. Para que pagar tributos para um Estado para o qual temos uma alternativa mais célere e mais barata?

A segunda é para a sobrevivência da própria sociedade. A razão pela qual delegamos o monopólio da força ao Estado não é porque confiamos inteiramente no Estado: é porque não confiamos inteiramente em nós mesmos.

Se eu posso fazer justiça com minhas próprias mãos, outros também podem. E cada um de nós pode resolver fazer justiça usando regras diferentes porque temos padrões morais e éticos distintos. A minha justiça pode parecer injusta a um terceiro, assim como a justiça desse terceiro pode nos parecer injusta. Com milhares de padrões individuais, um único olhar ‘errado’ pode desencadear a possibilidade de ‘justiçamento’. Uma guerra de todos contra todos.

Se eu posso impor minha justiça (ou injustiça) sobre o terceiro, ele também pode fazer o mesmo contra mim. O custo dessa constante possibilidade é financeira e emocionalmente enorme. Eu não só passarei a viver todo o tempo com medo de ser vítima da (in)justiça alheia, mas terei de me resguardar contra essa permanente possibilidade. Meu objetivo deixa de ser viver, e passa a ser apenas sobreviver. Voltamos a agir e sentir como todas as outras espécies animais. A possibilidade de prosperarmos desaparece porque o tempo e recursos disponíveis são usados de formas ineficientes. Não para construir algo novo e progredir, mas para proteger aquilo que já existe e não regredir.

A razão pela qual não podemos fazer justiça com as próprias mãos não é porque os criminosos são ou não animais (ou qualquer outro termo pejorativo que queiramos empregar), não respeitam as normas básicas da sociedade e não merecem ser punidos. A razão pela qual não podemos fazer justiça com as próprias mãos é que nós não somos e não queremos ser animais.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Brasil em 2014: "Pifando, lotado e caro"

FSP 06/02/2014 03h00

Está tudo lotado, está tudo caro, há escassez evidente de chão para os carros, de espaço nos trens ou de estrada e porto para transportar a comida que as fazendas produzem. A paciência da população escasseia também.

A infraestrutura não deu conta de aguentar nem meia dúzia de anos de crescimento bom seguidos deste triênio de lerdeza triste da economia. Além de competência, falta dinheiro para construir mais. Para haver mais dinheiro, grosso modo, também é preciso crescer mais. Mas a presidente e seus adeptos acham que isso de crescimento da economia, do PIB, é conversa mole reacionária.

"O Brasil deu 'overbooking'", observa uma amiga em uma "rede social". Quer dizer, venderam mais passagens do que há lugares neste nosso avião, ou neste trem aqui. Isso aparece na inflação de preços, de mau humor, no deficit externo, na lotação de tudo.

Dia sim, dia não, há falha e/ou tumulto nos trens de São Paulo. Estatísticas (quilometragem média rodada entre falhas) e engenheiros dizem que o número relativo de problemas caiu de 2003 até pelo menos 2012 (ainda não saíram os dados de 2013). Mas, como a rede de trens ficou maior, o número absoluto de falhas cresceu, criando a impressão de piora. O povo irritado e os sindicalistas da área dizem que isso é meio cascata.

Pouco se confia nos dados e nos relatos oficiais, dada a autoindulgência dos governantes. Geraldo Alckmin (PSDB) foi ligeirinho ao atribuir o tumulto de terça nos trens da CPTM a "vândalos", o que até pode ser verdade, mas a afirmação suscita escárnio, dada a lerdeza na construção do metrô e na investigação da bandalheira nos negócios com trens.

Isto posto, o número de passageiros transportados por dia útil em São Paulo cresceu 57% nos Metrô e 109% nos trens da CPTM, entre 2004 e 2012, um aumento brutal da demanda. No entanto, como as estatísticas de oferta (lugares, rapidez etc.) são ruins, a gente não sabe precisar o tamanho da escassez. Apenas sente.

Outro sinal suspeito de problema são os apagões de energia. A oferta de energia e o sistema de transmissão melhoraram bem desde o apagão tucano de 2001. Afora desastres meteorológicos ainda piores, parece que não vai faltar energia, embora a credibilidade das explicações oficiais nessa área seja o que se sabe, desde 2001 até agora. A própria Dilma Rousseff fez troça da história dos raios que causam blecautes.

Apesar da situação aparentemente melhor, os preços no "atacado livre" de eletricidade estão em recordes lunáticos, e a gente depende da energia cara e poluente das termelétricas. Ruim com elas, pior ainda sem elas, o que não é um consolo. A situação está apertada mesmo com três anos de crescimento ridículo da economia. Caso o país tivesse crescido, haveria falta de luz no meio do túnel?

Além do mais, o mercado de eletricidade, entre outros, está desorganizado devido a bobagens do governo. A conta de luz apenas não ficou mais cara porque o governo subsidia (banca) o custo extra das termelétricas, no entanto se endividando a juros doidos para fazê-lo. Enfim, preços "abaixo do custo" estimulam o consumo além do que seria recomendável, dada a escassez de água (e, pois, potencialmente, de energia).

O Brasil está batendo pino. Deu mesmo "overbooking".


vinicius torres freire Vinicius Torres Freire está na Folha desde 1991. Foi secretário de Redação, editor de 'Dinheiro', 'Opinião', 'Ciência', 'Educação' e correspondente em Paris. Em sua coluna, aborda temas políticos e econômicos. Escreve de terça a sexta e aos domingos

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O mais caro do mundo

03/12/2013 - 03h00
FSP  Vladimir Safatle

Ao que parece, chegou a hora de saudar o Brasil como o novo país "do mais caro do mundo". Foram necessárias décadas para alcançar tamanha conquista e, ao que parece, desta vez ela veio para ficar. Afinal, anos de trabalho árduo permitiram aos brasileiros ter o prazer de pagar o dobro no mesmo carro que outros mortais compram sem tanto sacrifício.

Atualmente, ser brasileiro é ter a satisfação de levar para casa o console Xbox mais caro do mundo. É poder humilhar os estrangeiros ao dizer o preço que pagamos em passagens aéreas, escolas, aluguéis e imóveis arrebentados em lugares com fios elétricos na frente da janela.

Para chegar a este estágio, foi necessário não apenas um conjunto substantivo de equívocos econômicos. Foi preciso muita cegueira ideológica para engolir a ladainha de que nosso troféu de "o mais caro do mundo" foi conquistado exclusivamente através dos impostos mais elevados e dos altos custos trabalhistas.

Não, meus amigos. Só em um mundo (como esse em que alguns liberais vivem) sem países como França, Alemanha ou Suécia o Brasil teria os impostos mais altos. Se nos compararmos aos EUA, veremos que a contribuição fiscal per capita de um brasileiro (US$ 4.000) é bem menor do que a de um norte-americano (US$ 13.550).

Na verdade, depois que se inventa o inimigo, é mais fácil esconder o verdadeiro responsável. Nosso troféu de "o mais caro do mundo" deve ser dedicado a esses batalhadores silenciosos do desastre econômico, a esses companheiros de todos os governos brasileiros: o oligopólio e a desigualdade.
A desigualdade econômica, esta tudo mundo conhece. Ela fingiu por um momento que estava se deixando controlar, mas deu não mais que uma unha para permanecer com todos os gordos dedos. Sempre se combateu desigualdade com revolução fiscal que taxasse os ricos, punisse radicalmente a evasão fiscal e limitasse os grandes salários. Mas, no país "do mais caro do mundo", o tema é tabu. Assim, uma classe de milionários pode empurrar alegremente os preços para cima porque não tem problema algum em pagar pelo mesmo o seu dobro, desde que as lojas ofereçam manobrista VIP e água com gás na saída do estacionamento.

Já a nova onda de oligopólios é uma das grandes contribuições da engenharia econômica do lulismo: os únicos governos de esquerda da galáxia que contribuíram massivamente para a cartelização de todos os setores-chaves da economia. Com uma política de auxiliar a formação de oligopólios via empréstimos do BNDES, o governo conseguiu fazer uma economia para poucos empresários amigos. Nela, não há concorrência. Assim, os preços descobriram que, no Brasil, o céu é o limite.

vladimir safatle Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Escreve às terças na Página A2 da versão impressa.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O mundo de Lula

17/07/2013 - 03h30

BRASÍLIA - Luiz Inácio Lula da Silva escreveu um artigo para o jornal "The New York Times" a respeito da onda de protestos de rua pelo Brasil.

O ex-presidente usa o texto para duas finalidades. Primeiro, faz um autoelogio sobre seu governo e a ampliação da sociedade de consumo. Depois, aponta razões da insatisfação dos brasileiros. Aí, claro, o responsável é um sujeito oculto.

O PT está no comando do país há dez anos e meio, com Lula e Dilma Rousseff. É mérito petista o aumento do mercado consumidor. Mas está nesse mesmo escaninho a responsabilidade pelo que não foi realizado.

"Eles [os manifestantes] querem uma melhoria na qualidade dos serviços públicos", escreve Lula. É verdade. E prossegue: "As preocupações dos jovens não são apenas materiais (...) Acima de tudo, eles demandam instituições políticas que sejam mais limpas e transparentes, sem as distorções do sistema político-eleitoral anacrônico brasileiro, que recentemente se mostrou incapaz de conduzir uma reforma".

Como assim? O "sistema" se mostrou incapaz? De qual sistema Lula está falando? O ex-presidente escreve como se não tivesse se esbaldado por oito anos em abraços com tudo o que ele próprio rejeitara no passado, inclusive xingando em público --como Fernando Collor e José Sarney. 

Chega a ser comovente o esforço de Lula para se aproximar dos manifestantes que foram às ruas. Ele prega a renovação dos partidos, inclusive do PT. A proposta é curiosa.

Lula manda no PT. O que foi realizado para modernizar o petismo nos últimos dez anos? Nada, exceto distribuir cargos públicos a filiados. 

"Enquanto a sociedade entrou na era digital, a política permaneceu analógica", escreve Lula. Já ele próprio entrou numa era de distanciamento. Até porque, se desejasse, poderia ter ido também à rua dialogar com os indignados durante o mês de junho. Mas o petista prefere escrever artigos para o "New York Times". 

Fernando Rodrigues Fernando Rodrigues é repórter em Brasília. Na Folha, foi editor de "Economia" (hoje "Mercado"), correspondente em Nova York, Washington e Tóquio. Recebeu quatro Prêmios Esso (1997, 2002, 2003 e 2006).

terça-feira, 16 de julho de 2013

'Bolsa passeata' desmoraliza sindicalistas

12/07/2013 - 08h37

Já sabíamos há muito tempo como figurantes ganham um dinheirinho para participar em comícios ou carregar bandeiras de candidatos. A 'bolsa passeata' flagrada ontem é novidade: sindicatos pagaram em torno de R$ 70,00 para "manifestantes"
.
A 'bolsa passeata' é simbólica.

As centrais sindicais, mantidas com dinheiro público, são poder. Muitos sindicatos só existem porque o trabalhador é obrigado a pagar. E se prestam a manter ou tentar derrubar governos, alinhando-se a candidatos e partidos.

Não se vinculam a projetos nacionais, mas são reféns de causas corporativas que, muitas vezes, significam mais gastos públicos ou empreguismo. São muito mais eficientes pelos corredores de Brasília.

O que as ruas vêm dizendo é que esses esquemas estão velhos. Não representam um país que busca soluções inovadoras e urgentes para a educação, saúde e transporte público. Estão muitas vezes ligados ao arcaico.

Não fossem os fechamentos de rodovias ou ruas, o dia de protesto teria ontem passado despercebido. O que falou mais alto foi a imagem dos manifestantes recebendo a "bolsa passeata".

 materia na folha
Gilberto Dimenstein Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.