sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Porque votarei no Aécio (pelo bem do PT)...

Por Senador Cristovam Buarque,

O que você acha?

Recebi carta assina por Y., com o seguinte teor:

“Poxa Senador, apoiando Aécio? Enorme decepção! O senhor acredita que Aécio realmente pactua com essa revolução na Educação?”

Enviei a seguinte resposta:


Não!!!

Aécio não está ao lado da revolução na educação, como a Dilma também não.

Mas vai mudar os quadros dirigentes do país, mesmo que sejam parecidos com os atuais.

Ao fazer isso, coloca a UNE, a CUT, o MST, o PT, o PDT...., todos que antes chamávamos de esquerda outra vez na luta, saindo do marasmo e do vício destes últimos 12 anos. 
O acomodamento das esquerdas talvez seja a pior das corrupções. Um novo governo nos fará retornar, na oposição, às bandeiras transformadoras da sociedade e à ética na política.

Gostaria de estar apoiando um novo governo transformador, mas o eleitor colocou apenas estas duas alternativas.

Gostaria de receber uma resposta sua. Para mim, esta troca já faz parte do novo tempo das esquerdas olhando o futuro, livre da prisão de ser governo conservador e com forte fama de corrupção.
Fico aguardando.

Na oposição, é capaz de o PT aceitar debater e talvez até apoiar minha bandeira da Federalização da Educação de Base.

Abraço
Cristovam

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A mentira como método



28/09/2014 - Ferreira Gullar - Colunista - Folha de S.Paulo
Veja original complete aqui

Tenho com frequência criticado o governo do PT, particularmente o que Lula fez, faz e o que afirma, bem como o desempenho da presidente Dilma, seja como governante, seja agora como candidata à reeleição.

Esclareço que não o faço movido por impulso emocional e, sim, na medida do possível, a partir de uma avaliação objetiva.

Por isso mesmo, não posso evitar de comentar a maneira como conduzem a campanha eleitoral à Presidência da República. Se é verdade que os candidatos petistas nunca se caracterizaram por um comportamento aceitável nas campanhas eleitorais, tenho de admitir que, na campanha atual, a falta de escrúpulos ultrapassou os limites.

Lembro-me, como tanta gente lembrará também, da falta de compromisso com a verdade que tem caracterizado as campanhas eleitorais do PT, particularmente para a Presidência da República.

Nesse particular, a Petrobras tem sido o trunfo de que o PT lança mão para apresentar-se como defensor dos interesses nacionais e seus adversários como traidores desses interesses. Como conseguir que esse truque dê resultado?

Mentindo, claro, inventando que o candidato adversário tem por objetivo privatizar a Petrobras. Por exemplo, Fernando Henrique, candidato em 1994, foi objeto dessa calúnia, sem que nunca tenha dito nada que justificasse tal acusação.

Em 2006, quem disputou com Lula foi Geraldo Alckmin e a mesma mentira foi usada contra ele. Na eleição seguinte, quando a candidata era Dilma Rousseff, essa farsa se repetiu: ela, se eleita, defenderia a Petrobras, enquanto José Serra, se ganhasse a eleição, acabaria com a empresa.

É realmente inacreditável. Eles sabem que estão mentindo e, sem qualquer respeito próprio, repetem a mesma mentira. Mas não só os dirigentes e o candidato sabem que estão caluniando o adversário, muitos eleitores também o sabem, mas se deixam enganar. Por isso, tendo a crer que a mentira é uma qualidade inerente ao lulopetismo.

Quando foi introduzido, pelo governo do PSDB, o remédio genérico —vendido por menos da metade do preço do mercado— o PT espalhou a mentira de que aquilo não era remédio de verdade. E os eleitores petistas acreditaram: preferiram pagar o triplo pelo mesmo remédio para seguir fielmente a mentira petista.

Pois é, na atual campanha, não apenas a mesma falta de escrúpulo orienta a propaganda de Dilma, como, por incrível que pareça, conseguem superar a desfaçatez das campanhas anteriores.

Mas essa exacerbação da mentira tem uma explicação: é que, desta vez, a derrota do lulopetismo é uma possibilidade tangível.

Faltando pouco para o dia da votação, Marina tem menos rejeição que Dilma e está empatada com ela no segundo turno —e o segundo turno, ao que tudo indica, é inevitável.

Assim foi que, quando Aécio parecia ameaçar a vitória da Dilma, era ele quem ia privatizar a Petrobras e acabar com o Bolsa Família.

Agora, como quem a ameaça é Marina, esta passou a ser acusada da mesma coisa: quer privatizar a Petrobras, abandonar a exploração do pré-sal e acabar com os programas assistenciais. Logo Marina, que passou fome na infância.

E não é que o Lula veio para o Rio e aqui montou uma manifestação em defesa da Petrobras e do pré-sal? Não dá para acreditar: o cara inventa a mentira e promove uma manifestação contra a mentira que ele mesmo inventou! Mas desta vez ele exagerou na farsa e a tal manifestação pifou.

Confesso que não sei qual a farsa maior, se essa, do Lula, ou a de Dilma quando afirmou que, se ela perder a eleição, a corrupção voltará ao governo. Parece piada, não parece? De mensalão em mensalão os governos petistas tornaram-se exemplo de corrupção, a tal ponto que altos dirigentes do partido foram parar na cadeia, condenados por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Agora são os escândalos da Petrobras, saqueada por eles e por seus sócios na falcatrua: a compra da refinaria de Pasadena por valor absurdo, a fortuna despendida na refinaria de Pernambuco, as propinas divididas entre o PT e os partidos aliados, conforme a denúncia feita por Paulo Roberto Costa, à Justiça do Paraná.

Foi o Lula que declarou que não se deve dizer o que pensa, mas o que o eleitor quer ouvir. Ou seja, o certo é mentir.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Quem tem medo de Marina?


Viúva política de Eduardo Campos, a coerência dela assusta a quase todos. Não é normal no Brasil

RUTH DE AQUINO Revista Época - www.epoca.com.br
15/08/2014

Os olhos de Marina Silva falaram muito na semana passada. Sombrios, avermelhados, estavam ora cabisbaixos, ora elevados ao céu em conversa particular com seus santos. Nenhuma maquiagem. Acima dos olhos, as sobrancelhas espessas, sem depilação. Abaixo dos olhos, as olheiras escuras, sem disfarce.

O coque, a echarpe preta, a austeridade, sem choro ou afobações. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, nascida no Acre em fevereiro de 1958, filha de seringueiros migrantes cearenses, contaminada por mercúrio aos 6 anos, analfabeta até os 16, aluna do Mobral, ex-empregada doméstica, formada em história, sobrevivente de malárias, hepatites e uma leishmaniose, continua a mesma. É evangélica, sempre se despede com um “vá com Deus”, mas não busca abertamente o voto dos crentes. Essa coerência assusta a quase todos. Não é normal no Brasil.

Marina é a viúva política de Eduardo Campos, queiram ou não. Talvez nunca um candidato tenha citado tanto seu vice. Ela passou dez meses ao lado de Campos, calada em público mesmo quando divergia. Era curioso o contraste físico e de personalidades. Campos esfuziante, forte, com o sorriso aberto e o brilho dos olhos azuis. Marina morena, magra, séria, sóbria e discreta. Agora, terá de falar – e muito. O que manteve Marina silenciosa nos dias após a tragédia foi um misto de luto, elegância e prudência.

Há raposas em todos os partidos – no PT, no PSDB e também no PSB – em busca dos destroços e holofotes. Querem decifrar a caixa-preta dos eleitores órfãos e herdar os votos da terceira via. A família de Campos, em meio a lágrimas e ao sofrimento, foi a primeira a legitimar Marina como herdeira natural do slogan da “coragem” para mudar o país. “Não vamos desistir do Brasil”, disse Campos. A ex-senadora Marina é a herdeira do “voto-comoção”.

Todos os obituá­rios de Campos a fortalecem, porque compartilhavam valores e a dissidência do petismo.

“Se tenho um exemplo a dar com minha trajetória, é o da coragem, que não é a da força bruta, mas de saber manejar sonhos e catalisar energia”, disse Marina. A declaração poderia ter sido feita na semana passada. Foi há mais de dez anos, quando era ministra do Meio Ambiente de Lula.

Essa falta de medo está tatuada na pele de Marina. Em 1988, quando assumiu a CUT e a política do Acre depois de Chico Mendes ser assassinado, afirmou que não sofria amea­ças: “Um corpo frágil não assusta ninguém”.

Quando José Dirceu, já ex-ministro, escreveu que o mandato de Marina pertencia ao PT, ela reagiu dizendo que já havia enfrentado madeireiros, fazendeiros, cangaceiros: “Com certeza, o Zé não fez isso para me intimidar; não faz parte do caráter dele”.

Há cinco anos, em agosto de 2009, depois de engolir muito sapo, Marina trocou o PT pelo PV para se candidatar à Presidência. Era pelo verde, pelo social e por muito mais que saía de perto de Lula e da mãe do PAC, Dilma Rousseff. Colheu quase 20 milhões de votos, deixou o PV após a eleição de 2010 e tentou, no ano passado, abrir um novo partido, Rede Sustentabilidade. Nome péssimo para o marketing político – mas, de novo, coerente. Não é uma sigla vazia.

Sem o limite mínimo de assinaturas válidas, Marina ignorou os companheiros xiitas e pendurou sua Rede no PSB de Eduardo Campos em outubro de 2013. Foi uma jogada de xadrez do tipo “vocês terão de me engolir”. Ela não podia imaginar o que o tabuleiro político lhe reservava ainda nesta eleição. Na fumaça da tragédia, em suas orações diárias, a Marina fundamentalista precisa pedir três coisas: sabedoria, sabedoria, sabedoria.

Uma vez, Marina escreveu um artigo para a imprensa chamado “O improvável e o imprevisível”. Um título quase premonitório. Foi seis anos atrás, ela ainda estava no PT. Citava várias vezes a filósofa alemã Hannah Arendt para criticar a arrogância dos partidos, que se consideram donos da energia política da sociedade. Eis um trecho, editado:

“O sentido da política é a liberdade. Os cidadãos e cidadãs estão criando uma política livre, viva, na academia, nos movimentos culturais, no consumo consciente, na internet, nas empresas, nas ONGs, nas igrejas. O grande desafio da democracia é criar espaços múltiplos de participação política, nos quais os partidos sejam parceiros e não guias. Os homens, enquanto puderem agir, são aptos a realizar o improvável e o imprevisível. É o que a sociedade brasileira está fazendo. E os partidos ainda não se tocaram”.

Marina escreveu isso em 2008. Seu pescoço projeta veias caudalosas. Sua voz é arranhada. Rugas estão intactas. Não parece se curvar facilmente a nenhum “media training”. Por que será mesmo que tem tanta gente com medo dela?

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Rock'n Roll Scam: destruindo neuronios e cultura das crianças


RUY CASTRO – FSP 30/jun/2014 - RIO DE JANEIRO

Estudo recente, orientado pela cientista americana Nadine Gaab, do Laboratório de Neurociência Cognitiva do Hospital Infantil de Boston (EUA) e publicado pela revista Plos One, confrontou um grupo de 15 crianças, de 9 a 12 anos, que estava aprendendo a tocar algum instrumento musical, com outro grupo que não passava por essa experiência.

Os que estudavam música pareceram mais aptos a reter e processar informações, resolver problemas, relacionar-se com os outros e desenvolver a atenção, a concentração e a capacidade motora. Ou seja, levaram vantagem nos testes de funções cognitivas, atividade cerebral e outros. Naturalmente, a música a que a pesquisadora se refere é a que contém seus componentes essenciais --melodia, harmonia e ritmo--, valoriza a beleza e se dirige à inteligência. Nada a ver com Justin Bieber.

Há 50 ou 60 anos, os jovens ouviam toda espécie de ritmos --sambas, baiões, foxes, mambos, fados, boleros, tangos, canções francesas e napolitanas, valsas vienenses, jazz, calipso, rock'n'roll. Sabiam identificar qualquer instrumento que vissem ou ouvissem --distinguiam entre um trompete e um trombone, sabiam escalar a família inteira dos saxes, citavam pelo menos dez variedades de cordas e conheciam a maioria dos instrumentos de uma sinfônica. Aprendíamos com o cinema, o rádio ou nossos pais.

A partir dos anos 70, a vida se reduziu a guitarras, teclados e percussão. Os outros instrumentos deixaram de existir. Os ritmos nacionais se evaporaram e a música popular ficou igual em toda parte. A educação musical dos garotos empobreceu. E os pais não podem ajudar, porque, já nascidos nesta realidade, seu conhecimento não é muito maior que o dos filhos.

Em breve, estudos como o da dra. Nadine serão impossíveis. Não haverá crianças em quantidade para fazê-los.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O Porrete do Capitalismo


Fernando Canzian, 23/abril/2014 FSP (veja original aqui)

Goste-se ou não, o capitalismo tem à mão um porrete enorme, capaz de botar de joelhos o mais bem-intencionado governo. Basta ousar sair da linha. Esse mesmo sistema financia campanhas políticas. Desagradar a quem bombeia o dinheiro, sangue desse organismo quase totalitário, tem-se revelado inútil.
 
 Barack Obama e outros socialistas (os da zona do euro) que o digam. Juras de enquadrar bancos e banir bônus inacreditáveis de executivos não deram em nada. A conta da crise do fim da década passada é paga pelos massacrados. Quem perdeu emprego, casa e poupança sofre com cortes de serviços públicos. Seus governantes precisam cobrir a dívida pública que tapou o buraco dos bancos e salvou gigantes falidos em 2008.   

 É a lógica dominante. Pode-se argumentar que a Grande Recessão de seis anos atrás foi engendrada nessa configuração leniente. Por que políticos e governantes não mudaram tudo a partir dela? Ao que parece, não conseguem. Dependem dela. O Brasil de Dilma Rousseff e sua vizinhança tentam subverter essa lógica.   

 Na Venezuela, as maiores reservas de petróleo do mundo não vêm à tona por falta de investimentos. Nem papel higiênico Caracas tem a oferecer à sua população.   

 No Brasil, a imposição inicial de baixos retornos em concessões na infraestrutura, a bagunça no setor produtivo com desonerações pontuais, o represamento de tarifas e gastos públicos e a inflação em alta cortaram o crescimento de Dilma à metade do da era Lula.   

 Pode-se alegar que os donos do dinheiro são uns sacanas, que só investem quando mimados. Qual é a alternativa se o Estado não tem poupança suficiente para nada e deturpa -com política e corrupção- entes e agências que poderiam minimamente estabilizar as regras?   

 O fim da era FHC e os anos Lula tiraram 40 milhões de pessoas da miséria porque atenderam às demandas do capital. Programas sociais, empregos, moradia e distribuição de renda custam dinheiro. Quem financiou? Geração espontânea não existe.   

 Prevaleceu a técnica do judô: uso da força adversária em proveito próprio. Não havia banqueiro, empresário ou ex-miserável triste, dizia-se. Deu até para eleger poste.   

 Com Dilma, isso parou. Amedrontaram o bicho mais medroso do mundo, o dono do dinheiro. O Brasil não cabe mais em seu PIB. O desconforto geral explodiu e os donos da gaita se retraíram. O baixo crescimento e a inflação renitente vêm daí.   

 Oferecer um tapete vermelho bem regulado a quem pode nos tirar desse sufoco, recepcionado por um presidente faixa preta. Temos um candidato que pode fazer isso?

sexta-feira, 14 de março de 2014

Las 10 multinacionales mas peligrosas del mundo

por · 18/07/2012

fuente: http://ecocosas.com/eg/las-10-multinacionales-mas-peligrosas-del-mundo/