sexta-feira, 14 de maio de 2010

Custo Brasil e Ganância


Autor: Gabriel TorresData: 21 de dezembro de 2007 - 20:57 H
Tudo mundo que trabalha com peças de informática ou com eletrônicos de forma geral tá careca de conhecer o problema do "Custo Brasil": importar eletrônicos legalmente no Brasil dobra o custo do produto.
Só que essa semana não consegui parar de pensar no caso do aparelho de Blu-Ray. O preço desses aparelhos no EUA despencou em dezembro por conta do Natal. As unidades mais baratas hoje são as da Samsung como a BD-P1400 e a Sony BDP-S300, custando US$ 300 (sem impostos; com impostos sai por US$ 325) em qualquer loja da cadeia Best Buy (tem praticamente uma em cada esquina nos EUA). Ou seja, no máximo R$ 650. Mesmo se a gente pensar no preço de tabela dessas unidades nos EUA (US$ 500 ou R$ 1.000) ainda está longe, muito longe, do preço de tabela no Brasil: R$ 3.000. Tudo bem que o custo de importação é de 100%, mas cobrar entre R$ 1.000 a R$ 1.700 acima do custo é pura ganância. Pois se a Best Buy está vendendo por US$ 300 é pouco provável que eles estejam tendo prejuízo. O custo do produto para importadores oficiais é menor que o preço encontrado nas lojas americanas, o que aumenta ainda mais esta disparidade. Sem contar que nos EUA a Blu-Ray Association dá 5 discos Blu-Ray de graça (de uma seleção limitada, é verdade) para quem comprar esses aparelhos, o que torna a diferença de preço ainda maior.

É por essa mentalidade de exploração que o Brasil não vai para frente. Infelizmente a cultura brasileira ainda é centrada na "esperteza" e "querer levar vantagem", sem a idéia usada pelos americanos e chineses de em vez de colocar uma margem de lucro alta e vender meia dúzia de unidades, coloca-se uma margem pequena e vendem-se milhares de unidades e ganha-se no volume, sem contar na verdadeira popularização da tecnologia, na criação de um mercado consumidor para outros produtos correlacionados (como filmes em Blu-Ray). Aí o que ocorre no Brasil: como pouca gente tem esses aparelhos, o custo dos filmes vai para a casa do chapéu, por falta de volume de vendas. O pessoal no Brasil em geral só pensa no seu e pronto, que se dane o resto.
Fala-se muito em inclusão digital no Brasil, mas com essa mentalidade tudo não passa de pura demagogia. Verdadeira inclusão digital ocorre em todos os demais países onde qualquer pessoa pode comprar a última tecnologia de ponta sem ser explorado por isso.

Sempre é bom lembrar que por conta da diferença nos salários US$ 300 nos EUA equivale a R$ 300 no Brasil.
A solução? A que eu venho defendendo há mais de 10 anos: um processo de importação sem burocracia (hoje em dia para importar produtos oficialmente o empresário precisa ter doutorado em sânscrito) e um custo total de importação mais baixo. Com um custo total de 20% o contrabando praticamente acabaria, o governo arrecadaria mais, visto que o contrabando não faria mais sentido, isto é, a quantidade de gente pagando impostos seria maior, e teríamos finalmente uma inclusão digital no Brasil. Ou você não compraria hoje um Blu-Ray nas Lojas Americanas se você visse um aparelho a R$ 780, discos a R$ 40 e pudesse comprar uma TV LCD de 47 polegadas de alta definição 1080p por um preço acessível?

A única contra-argumentação seria que isso "quebraria" a indústria nacional. Que indústria nacional? As indústrias nacionais só sobrevivem porque há essa política arcaica contra importados no Brasil. O que a indústria nacional precisa é menos burocracia e um ambiente propício para o empreendimento e não de falsas proteções. Mas aí, é claro, teríamos de revolucionar o sistema tributário brasileiro e fazer o que governo não quer de jeito nenhum: cortar custos, demitir funcionários, enfim, colocar a "casa em ordem" e acabar com a "mamata". Afinal é assim que fazemos na nossa vida pessoal. Mas infelizmente não vai ser nesta administração que isso vai ocorrer, já que o pensamento socialista é de que o governo tem que bancar tudo e dar dinheiro para os pobres a troco de nada (dar o peixe em vez de ensinar a pescar). E quem paga a conta somos todos nós, com coisas como a falta de acesso à tecnologia e pagando os olhos da cara para qualquer produto de quinta categoria que aparece por aqui. Pensando bem, no fundo, no fundo nada mudou no Brasil nos últimos 40 anos.

http://www.clubedohardware.com.br/blog/170/

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